Sobre Mesa

A tarde escurece doce
no calendário.

Sabe, fiquei com uma gravação
onde cantávamos juntos
uma música do Cazuza.

Fiquei também com cartas rasgadas pelo tempo,
empoeiradas de mofo e silêncio.

Estão lá, indiferentes a mim,
guardadas num armário perfumado
de esquecimento.

E você com o que ficou de mim?
O sexo, alguns punhados de maconha,
e minha carteira de cigarros?

Catarros e a marca dos dentes de um leão
que abocanha o seu pescoço.

O que diabos você tem de
diferente das outras?

Por que essa bocas não beijam
e não chupam como a sua?

A tarde escurece amarga
no calendário.

Sobre antigos lençóis
de sonho e de tesão.

Penso nisso enquanto chupo um sorvete,
tão gelado quanto teu coração.

(Poeta Bastardo)



Categoria: Poesia |
| Postado em: 15.10.13

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