Escavação

Numa ânsia de ter alguma coisa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar;
E a minh’alma perdida não repousa.

Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar…

Mas a vitória fulva esvai-se logo…
E cinzas, cinzas só, em vez de fogo…
– Onde existo que não existo em mim?

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Um cemitério falso sem ossadas,
Noites d’amor sem bocas esmagadas –
Tudo outro espasmo que princípio ou fim….

(Mário de Sá-Carneiro – Paris, 03/05/1913)



Categoria: Poesia |
| Postado em: 29.03.14

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