A Flauta Vértebra

Premonition of Civl War – Salvador Dalí

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

(Vladimir Maiakovski)



Categoria: Poesia |
| Postado em: 2.09.11

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